BIG

O Big é um jovem artista e fotógrafo do bairro Cidade Tiradentes, região de São Paulo onde a cultura pulsa. Ele faz parte do coletivo de arte ALI: LESTE, que aproxima jovens talentos da arte formal, abrindo um leque de novas oportunidades para esses artistas.

SLOW – Você nasceu e cresceu na Cidade Tiradentes?

BIG – Sim, minha família se mudou para o bairro em 1985. Eu nasci em 1994 no hospital de Guaianases, que fica próximo à Cidade Tiradentes.

SLOW – Como você explica esse movimento cultural que acontece na CT?

BIG – O movimento cultural na CT é forte, mas ainda existem muitas dificuldades para alguns coletivos acessarem recursos públicos. Mas mesmo com essa dificuldade tão evidente, alguns grupos sobrevivem através de parcerias com alguns equipamentos públicos da região – nem que seja apenas para apresentar seus trabalhos sem receber nenhuma grana em troca, contando apenas com a visibilidade, que ajuda a fortalecer o portfólio dos coletivos.

SLOW – Você sempre gostou de fotografia? Quando foi que ela despertou seu interesse?

BIG – Comecei a me interessar por fotografia em 2012/2013, quando me deparei com um documentário do Milton Santos em que um cineasta argentino, Carlos Pronzato, filmava as manifestações causadas pela crise financeira argentina. Foi aí que comprei uma câmera semiprofissional e comecei a fotografar as manifestações pelo passe livre em 2013. Em 2016, quando eu fazia parte de um coletivo do qual fui um dos fundadores, criamos um projeto chamado Retrato Falado, no qual convidei alguns fotógrafos anônimos do bairro para fotografar o cotidiano da Cidade Tiradentes. Depois, entregamos esses retratos para os poetas da região darem vozes às imagens por meio da poesia.

SLOW – Quais fotógrafos são referência no seu trabalho?

BIG – Como nunca estudei fotografia, confesso que tenho poucas referências. Mas olho para o trabalho do Carlos Pronzato, as fotografias do Che Guevara e o Sebastião Salgado, com suas fotos que também tratam da desigualdade no mundo.

SLOW – O que você gosta de provocar com suas imagens?

BIG – Sempre gostei de fotos jornalísticas e sempre tentei denunciar, fazer as pessoas pensarem a partir da fotografia.
Sempre fotografei o cotidiano periférico, mas com o tempo outras linguagens me chamaram a atenção. Algumas traziam memórias afetivas, denúncias e, depois de um tempo, até fotografias mais abstratas.

SLOW – Eu conheço pouco a zona leste de São Paulo. Você considera que seu trabalho é uma forma de introduzir as pessoas a essa região?

BIG – Sim. Considero que meu trabalho vai além das artes. Como sou articulador cultural, sempre tentei convidar outros artistas e coletivos para desenvolverem trabalhos junto à comunidade, onde geral pode se doar ou doar algo para o projeto, fazendo com que geral ali presente participe da organização. A ideia é que todos coloquem a mão na massa e valorizem ainda mais cada ação.

SLOW – Como é fazer parte do coletivo ALI: LESTE?

BIG – Eu entrei no Ali: Leste em 2019. Antes, eu fazia parte de outro coletivo que ajudei a fundar, chamado Instituto Du Gueto. Trabalho com arte e cultura desde 2016 com meu antigo coletivo e, em 2019, comecei a realizar algumas atividades em conjunto com o Ali: Leste. Três anos depois migrei de fato para o grupo.
Hoje considero o coletivo como minha família. Temos uma sede/ateliê onde cresci, e isso despertou ainda mais meu interesse em atuar junto ao grupo, que vem transformando não só a minha vida, mas também a de várias pessoas aqui na vila Yolanda 2.

SLOW – Qual é a festa boa que acontece na CT?

BIG – Não costumo ir muito a festas, mas temos um centro de formação cultural que organiza eventos com grandes nomes do rap nacional – estilo do qual tenho orgulho de ser fã.
Também existem os bailes funk próximos ao terminal e outros bailes que rolam pela quebrada.

SLOW – Tem alguma música que você ouve no repeat?

BIG – Na real, tem várias. Mas, em particular, ouço muito Eduardo Facção Central. Pela forma agressiva com que ele canta e pelos temas sensíveis que aborda, posso dizer que sou muito fã das musicas dele – é difícil escolher só uma.

SLOW – Qual o seu próximo projeto?

BIG – Meu próximo trabalho é um projeto chamado Vício, no qual convidei o artista Allan Silva para participar comigo. Nele, abordamos alguns vícios da sociedade em geral e os transformamos em arte.

FOTOS CASSIA TABATINI

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